“O” quê

Além de teus abraços, não encontro o que possa me prender a ti. Braços confortáveis não serão o bastante enquanto faltar aquele quê que provoque um mínimo suspiro. Não foi falta de procura, esse tipo de quê existe para que alguém especial veja, mas (ainda?) não apareceu para mim. Não tenho modelos, apenas sei de exemplos, e deles posso dizer que não é nada incomum, mas que nunca chegaria a ser banal. Tem um toque especial e que assim se torna só por fazer parte de ti. Não deixa espaço para hesitações, perguntas ou arrependimentos.

Um cheiro, um trejeito, uma ponta de futuro.  Qualquer coisa que te tornasse mais que suficiente. Necessário.

Esse é o som que contagia, é o som do terceirão!

Neste momento, a colação é apenas uma desculpa para fazer uma review particular de 2011 – um ano que passou correndo pelos meus olhos, mas que por vezes desacelerou em seus típicos momentos de desamparo.

Enquanto sentia-me só e encurralada por minhas responsabilidades incompletas, o tempo sempre parecia durar uma eternidade, mas rapidamente percebia que não estava desacompanhada. Muitas pessoas estiveram ao meu lado, seja compartilhando a mesma apreensão, seja ajudando a aliviar a minha. Se tenho muito pelo que agradecer futuramente, nunca poderei dizer que conquistei tudo por conta própria. A contribuição de cada um só eu sei e para eles tenho agradecimentos infinitos.

Não gosto de pensar que este seja o fim de qualquer coisa, que muitos seguirão destinos diferentes, que o que estar por vir tem grandes chances de não atender às nossas expectativas, sonhos e desejos. Pelo contrário, acredito que nosso futuro será brilhante, não só porque somos chamados de brilhantes amanhãs, mas sim porque é para isso que estamos prontos.

Este é apenas um fim simbólico, pois a luta ainda não acabou. Para concluir o ensino médio, o mundo deu a sua parcela de colaboração, portanto está na hora de retribui-lo.

“Terra de idiotas”, ouvi dizer


Se você pensa que o Brasil está precisando de mais gente desacreditada como você, então está completamente enganada. Era o que eu estava me segurando para dizer, acompanhando todo aquele papo de “ah, deixa disso, nosso país não tem mais jeito”. É essa a visão que boa parte dos brasileiros tem sobre a própria nação, imagine então o que pensam aqueles que são de fora. Para eles, aqui é carnaval todo dia, acompanhado de futebol, cerveja e feijoada. Mas, diga-me uma coisa, estrangeiro tem lá mais a ver com o Brasil do que o próprio brasileiro?

Um clichê de paraíso sexual paira sobre nós, mas a gente tem preguiça de ir contra isso… Preguiça. Foi o que eu ouvi. Somos tão preguiçosos para nos revoltarmos contra qualquer coisa quanto são preguiçosos os políticos que cuidam? de nosso país, tão pouco levado a sério. Ouvi ainda que políticos idiotas estão no poder porque o povo idiota os colocou lá. É tudo culpa do povo idiota – que sempre será idiota – do qual você por um acaso também faz parte… Você que aceita, concorda e contribui para a concepção de que o Brasil já é um país completamente no fundo do poço é tão idiota quanto.

Mais adiante na conversa, comentaram sobre o sublime clichê de que lei alguma funciona por aqui, o que ainda foi refutado por um “pensar desse jeito que tá errado. As leis se aplicam pra quem segue e quem pensa que nem você deveria passar a seguir também”. Mas, para meu maior incômodo, a primeira insistiu em rebater que essa realidade nunca vai mudar, que o jogo acabou. Nessa hora, eu pediria licença para perguntar: e você, moça, acha que existe alguma chance de que alguma coisa mude pensando dessa forma? Não, não, acho que você nem faz questão de que isso mude, ainda bem porque isso aqui não tem jeito, não, moça. “Esse é o Brasil.” Então, já que não se importa, qual seu objetivo na vida, moça?

Você não escolheu ser brasileira, mas não custa conviver com isso. É como pai e mãe, aqueles que você ama incondicionalmente e, não importa o quê, você estará ali para eles assim como eles estarão sempre para você.

“Não vamos mudar 500 anos de história”, mas eu gostaria de mudar pelo menos os seus 15 ou 16 anos de vida. Não, não, eu não me importo, acho que você é que não tem jeito e não quero me dar o trabalho de tentar mudar alguma coisa. Você acha mesmo que valeria à pena tentar transformar essa sua, essa nossa geração maravilhosa que já virou de ponta cabeça recém-chegada na conturbada adolescência? Que é isso, abuso de consciência!

Chega, vamos falar de uma forma que você possivelmente entenda… Nós - eu sei que você também é brasileira – a todo momento cavamos a própria cova, aos poucos retirando um punhado de terra aqui e ali, com alguns que ainda tentam nos jogar um balde d’água, transformando tudo em um lamaçal, não sei qual a bagunça maior.

Meu incômodo maior não é a grande desigualdade de realidade que aqui existe, ou seja lá o que pensam lá fora sobre isso, mas sim que ainda há tanta gente sem fé como você. Gente que não deve acreditar nem em si mesmo, dirá no restante da humanidade. Portanto, desejo a você boa sorte daqui para frente, espero que não se frustre muito quando descobrir que vai ter que enfrentar e conviver com esse povo idiota, justamente quando não adiantar fazer mais nada.

Prove you’re alive


“Warning: If you are reading this then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don’t you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can’t think of a better way to spend these moments? Or are you so impressed with authority that you give respect and credence to all that claim it? Do you read everything you’re supposed to read? Do you think every thing you’re supposed to think? Buy what you’re told to want? Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you’re alive. If you don’t claim your humanity you will become a statistic. You have been warned.”

— Chuck Palahniuk (Fight Club)

Lide com isso

Algumas pessoas são gordas, algumas pessoas são gays, algumas pessoas são coisas que incomodam bastante você. Algumas pessoas erram e continuam errando porque não há quem possa alertá-las. Algumas pessoas não pediram para ser como são e as próprias não veem nada de errado nisso. Algumas pessoas não são você, e que sorte a delas, pois não teriam do quê se orgulhar se fossem.

Acabou?

E quando acaba a vontade de continuar? Aquela agonia, aquela impaciência de querer que a vida passe mais rapidamente… Um desejo grande de pular as noites (mal) dormidas, ignorar as reclamações, agilizar o trânsito, tentar respirar e então parar o tempo. Tanto querer para pouca disposição; “tanta” disposição para muito trabalho; tanto trabalho para pouca paciência; pouca paciência para tanta espera. Espero que acabe logo.

Além de você

O utopista
Murilo Mendes

Ele acredita que o chão é duro
Que todos os homens estão presos
Que há limites para a poesia
Que não há sorrisos nas crianças
Nem amor nas mulheres
Que só de pão vive o homem
Que não há um outro mundo.

Sonhos e vidas, caminhos e portas, coisas que se fecharam de tanto que não viu a realidade que existiu além de você. Um cego sem a esperada audição apurada, que tornou-se cego à medida que (não) viveu; nunca pôde bem usar de seus ouvidos, que por falta de escutar também se fecharam. Uma pena não ter conhecido o mundo que tantas vezes se abriu e se mostrou para você.

Insisto ainda

Esqueça a tua mera imagem,
acorde para a realidade.

Enquanto existir essa tua superficialidade,
fico aqui não precisando de ti – querendo dizer,
não me importo coisa alguma!
Também sei fugir.

Receio por trás da face.

Continue assim,
brincando de viver;
quando tu estiver no ponto,
eu já vou estar aqui.

Ana Luiza

Romeo and Juliet

Romeu: Jogue suas tranças, Julieta.
Julieta: Oh, Romeu, Romeu, onde estás, Romeu?
Romeu: Aqui embaixo, mulher, joga logo essas tranças que eu não tenho o dia todo!

Calma… eu acho que confundi as histórias. Romeu e Julieta não tem tranças, e Romeu não falaria assim com Julieta, óbvio. Romeu amava Julieta, Julieta amava Romeu, mesmo o cabelo da Julieta não sendo como o de Rapunzel. Mas por que depois de 5 séculos ainda nos encantamos com essa trágica história de amor? Será que Shakespeare tinha a mínima noção de que Romeo and Juliet viveria durante séculos no imaginário de casais apaixonados, renderia livros, filmes, frases e textos sobre esse amor? Bom, se Shakespeare sabia de tudo isso… que a humanidade se curve ao gênio.

Mas eu nunca fui com a cara do Romeu, nem da Julieta, como pode em uma única noite jurarem amor eterno e se casarem? Como, se Romeu encontrou Julieta por acaso no baile? Ele queria outra, meus caros.  E aí, de repente, é Julieta pra cá, Julieta pra lá… E Julieta, que caiu como um patinho no conto do Romeu? Julieta, essa mesma, que estava prometida a outro. Bom, talvez Romeu tivesse um charme incrível, e Julieta tivesse um perfume que seduziu Romeu e o deixou a seus pés. Mas o que tiver que tenha sido que os deixou assim, perturbadoramente apaixonados, não existe! Continue lendo