Sensível demais

É na hora que você mais precisa que te deixam na mão. Todo mundo parece esquecer de você no seu momento ruim. Mas não é culpa deles. Você que está mais sensível e vulnerável, e não os outros. Eles não estão mais agressivos e relapsos, porque não tiveram motivo nenhum para estarem assim. Você que teve. Mas ninguém pareceu perceber isso. E então tudo fica à flor da pele. Cada palavra deve ser dita e ouvida com cuidado ou parecerá que todos estão contra você e nunca estiveram com você.

Nem sempre as pessoas certas percebem que algo está diferente, o que piora ainda mais a situação. Agora, ninguém se importa com você como pareciam se importar antes. Qual o problemas com eles? Nenhum. O problema é com você. O problema é pequeno demais pra alguém notar? Mais uma vez, o problema é com você.

E como resolver? Só ele sabe. Aquele mesmo. O único que sabe que é apenas uma mudança de alguém bipolar ou com tpm, mas sabe. O que acaba fazendo você se sentir melhor, mesmo que por um breve momento. Pode não ter feito uma diferença tão grande, mas fez algo maior do que os outros deixaram de fazer fizeram.

Mas onde estariam os outros? Por que não fazem alguma coisa logo? Não é que não gostem de você o bastante pra isso. Isso eu sei, eu sinto. Então, não se aborreça por isso. Deixe para situações piores e mais revoltantes por que se você tiver um bom motivo, você realmente tem o direito e a total liberdade para se indignar. Mas, agora, não espalhe e desconte em tudo o que estiver ao alcance. Só por precaução.

Isso pode ser mais simples do que pensa e você não precisa tornar tudo tão mais dramático.

Back to the future

Ela precisava voltar mais cedo pra casa. A mãe estava no trabalho e não podia ir buscá-la no colégio. Já eram quase 7 horas da noite, hora de pico na avenida principal da cidade. Ligou pro avô, que logo chegou e  então os dois entraram no carro.

No carro, ela ligou o rádio na estação que costumava ouvir anos atrás, a mais popular até hoje. Ao som de uma música bem pop e internacional, os dois estavam em silêncio, rezando para que o trânsito começasse a se mexer logo. Quanto carro!

– Se a gente tivesse vindo a pé, a gente já tava lá longe… – comentou o avô, em meio ao silêncio, com um sorriso torto.

– Lá longe né! Lá longe, no colégio ainda! – começou a garota, com ar de desacaso, e concluiu com o avô dizendo o mesmo.

Os dois riram e foi o bastante pra quebrar o clima de desconhecidos entre eles.

– Vou dizer pra tua mãe comprar uma Suzuki pra você! ‘Oh, Sônia.. compre uma Suzuki pra Mariana!’ Já pensou a Mariana com uma Suzukinha? Ia passar rapidinho no meio desses carros…

Foi aí que Mariana começou a rir mais. Uma risada gostosa. Era como se tivesse voltado a ter 10 anos de idade, quando o avô ainda a chamava de miudinha. Tinha mais tempo para as férias e sempre ia à praia com ele. Sempre conversavam bastante, conversas desse mesmo tipo, com um leve humor e uma boa descontração. Era disso que gostava e agora lembrava o quanto era bom.

Desejou que o trânsito continuasse devagar, mas quando percebeu já estava a duas quadras de casa. A rádio agora não tocava mais nenhuma música, começara o jornal da noite. Teve que descer do carro. Pediu a benção, como de costume e foi pra casa bem melhor do que antes. Tão melhor que até encontrou certa inspiração para escrever, coisa que gostava de fazer sempre que pensava demais em algo.

“So good you’ve got to abuse it, so fast that sometimes you lose it. It chews you up when you feed it but everyone needs to eat.”