Um pouco de otimismo, para variar

Vida boa eu sempre tive, só nunca me dei conta disso totalmente.

Não preciso usar óculos de grau, aparelhos nos dentes ou na coluna, Roacutan, nem fazer bronzeamento artificial ou dietas verdes rigorosas. Não preciso de salto alto. Nem gosto.

Meu avô, irmão e mãe são quem eu mais admiro, são justamente aqueles que me mostraram e me transferiram o melhor que há em mim agora. Meus amigos? Excedem extraordinariamente qualquer expectativa! Lindos, tão lindos…

Sou boa em Matemática e não escuto bandas de Axé (e gosto particularmente desses dois aspectos).

Posso dormir tarde e ficar de pé logo cedo sem precisar hibernar na escola ou nas tardes de domingo. Não curto perder tempo dormindo “fora da hora”.

Era constantemente chamada de “miudinha” pelo meu avô por já ter sido realmente miúda um dia. Cresci. Agora sou chamada ironicamente de “miudona”, ainda por ele. Lovely.

Não tenho uma câmera decente, que nem ao menos é comparável à que eu desejo, mas sonho com o dia em que a terei em mãos. E sei que posso sonhar alto e até realizar tais sonhos, o que os torna mais grandiosos e encantadores para se correr atrás.

E o melhor da minha vida é saber que eu posso listar uma infinidade de coisas pelas quais eu nada tenho – nem devo – a reclamar.

Não é questão de querer jogar tudo isso na cara dos outros, e sim jogar na minha própria.

Este ano, não terei ceia de Natal, nem ao menos terei oportunidade de abrir presente algum. Também pudera, nunca comemorei pelo verdadeiro significado do Natal. Em troca, tomei consciência de que não preciso de nada disso para agradecer o que tenho em minha vida.

p.s.: Mudanças na página “About Me“.

Anúncios

Back to the future

Ela precisava voltar mais cedo pra casa. A mãe estava no trabalho e não podia ir buscá-la no colégio. Já eram quase 7 horas da noite, hora de pico na avenida principal da cidade. Ligou pro avô, que logo chegou e  então os dois entraram no carro.

No carro, ela ligou o rádio na estação que costumava ouvir anos atrás, a mais popular até hoje. Ao som de uma música bem pop e internacional, os dois estavam em silêncio, rezando para que o trânsito começasse a se mexer logo. Quanto carro!

– Se a gente tivesse vindo a pé, a gente já tava lá longe… – comentou o avô, em meio ao silêncio, com um sorriso torto.

– Lá longe né! Lá longe, no colégio ainda! – começou a garota, com ar de desacaso, e concluiu com o avô dizendo o mesmo.

Os dois riram e foi o bastante pra quebrar o clima de desconhecidos entre eles.

– Vou dizer pra tua mãe comprar uma Suzuki pra você! ‘Oh, Sônia.. compre uma Suzuki pra Mariana!’ Já pensou a Mariana com uma Suzukinha? Ia passar rapidinho no meio desses carros…

Foi aí que Mariana começou a rir mais. Uma risada gostosa. Era como se tivesse voltado a ter 10 anos de idade, quando o avô ainda a chamava de miudinha. Tinha mais tempo para as férias e sempre ia à praia com ele. Sempre conversavam bastante, conversas desse mesmo tipo, com um leve humor e uma boa descontração. Era disso que gostava e agora lembrava o quanto era bom.

Desejou que o trânsito continuasse devagar, mas quando percebeu já estava a duas quadras de casa. A rádio agora não tocava mais nenhuma música, começara o jornal da noite. Teve que descer do carro. Pediu a benção, como de costume e foi pra casa bem melhor do que antes. Tão melhor que até encontrou certa inspiração para escrever, coisa que gostava de fazer sempre que pensava demais em algo.

“So good you’ve got to abuse it, so fast that sometimes you lose it. It chews you up when you feed it but everyone needs to eat.”