Como a vida pode ser uma filha da puta

Depois de anos sendo gente e convivendo com gente, aprendi a lidar com algumas decepções não esperando nada da vida. Viver sem expectativas foi o melhor mecanismo de defesa que eu consegui pra isso. Muita gente me perguntava como eu conseguia não ficar nervosa em uma apresentação, ou não me preocupar com prazos de trabalhos… São exemplos simples, mas bem claros. Basta não pensar em como tudo poderia dar certo ou em como tudo poderia dar errado. Era suficiente apenas fazer o que estava ao meu alcance, que tudo ia se ajeitando. E aí eu comecei a perceber que nem todo mundo conseguia fazer isso, nem todo mundo conseguia viver sem expectativas. Então resolvi me permitir criá-las, qual seria o problema? Sou um ser humano, e seres humanos criam expectativas o tempo todo e nunca morreram por isso! E foi aí que tudo deu errado. Porque quando você cria um mecanismo de defesa e de repente não usa mais ele, nunca é uma saída mais simples. Você viveu a vida toda naquele modo e não se preparou pra mudar, mas resolve arriscar. Então, quando você cria expectativas e elas são quebradas, o choque é muito maior, porque não criá-las você já sabe, e criá-las também! Mas lidar com a decepção de pequenos ou grandes planos destruídos, por mais que parecessem tão concretos, seria a primeira vez, depois de tanto tempo. E como acontece? Pra isso, a vida te atinge bem no ponto mais fraco. Machuca de jeito quem você gosta, quem é importante pra você, e ainda não deixa você fazer absolutamente nada por ela. Deixa você só ali de lado, jogada num canto pra assistir o sofrimento alheio, inútil. E é assim que a vida pode ser uma filha da puta.

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